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:: Terça-feira, Maio 1 ::

FIGHT BAIRRISMO WITH BAIRRISMO

Raio-X
São Paulo x Grêmio

por Gustavo Poli - Globoesporte.com


São Paulo e Grêmio começam, amanhã, o único confronto brasileiro nas oitavas-de-final da Libertadores. Por isso, atendendo a uma sugestão do leitor Walter (sem sobrenome), vosso humilde servo tenta dissecar o clássico. Como a bola de cristal está sendo preparada física e psicologicamente para o Campeonato Brasileiro, ela será preservada, como um daqueles jogadores de vidro. O jogo promete, claro. O momento do Grêmio é melhor, mas o time do São Paulo tem mais talento. Vamos, então, ver o que cada time tem de melhor.

Goleiros
O argentino Saja é um ótimo goleiro. Alto, tem reflexos e elasticidade. Debaixo da trave é provavelmente melhor que Rogério. Mas anda numa certa maré de azar. Saídas em falso, gols no cantinho em chutes de longe... bolas defensáveis tÊm entrado mais do que o desejável no gol do Grêmio. Rogério Ceni, por outro lado, mantém sua média: é eficaz sem ser espetaculoso. Fez uma ótima e fundamental no fim da partida contra o Audax Italiano - uma defesa que garantiu a vaga tricolor nas oitavas-de-final. E ele ainda traz o elemento ofensivo nas bolas paradas.
Análise: Ligeira vantagem do São Paulo.

Começou bem... O Rogério Ceni é um goleiro que é endeusado por ser um grande cobrador de faltas. No gol... bem, os colorados que me respondam. Lembram do frangaço na final da Libertadores do ano passado? Nada mais que um goleiro comum. Já o Saja tem mostrado qualidades que ninguém imaginava. Até pode ter tomado gols estranhos nos últimos jogos, mas só são considerados falhas por sabermos do que ele é capaz.

Sistema defensivo

A marcação agressiva do campeão brasileiro costumava começar com os dois atacantes - Leandro e Aloísio. Aloísio prende os zagueiros e perturba. Mas ninguém é tão chato quanto Leandro - talvez o atacante com mais poder de marcação no futebol brasileiro atual. Com sua provável barração, o time ganha em qualidade - mas perde em marcação. E isso agrava a lacuna deixada pela saída de Mineiro. Souza marca, mas não tem a velocidade nem a noção de cobertura do antecessor. O mesmo vale para Richarlysson. E a qualidade individual da zaga são-paulina também não é a mesma. Miranda, André Dias e Alex Silva são bons jogadores, mas Lugano e Fabão fazem muita falta. Sem Mineiro, Josué fica sobrecarregado na marcação - até porque os dois laterais continuam sendo melhores atacando do que defendendo. E Hugo não preenche os espaços tão bem quanto Danilo - que Rogério Ceni, lembremos, disse certa vez ser "o jogador mais importante do São Paulo". E, como os três zagueiros são relativamente lentos, o time acaba vulnerável quando está em desvantagem. Apesar de ter tomado apenas 18 gols no ano, não é uma zaga totalmente segura.

A defesa do Grêmio é instável e tem sofrido muito com a bola aérea. A barração do argentino Schiavi melhorou um pouco a situação - e o time praticamente não deu chances de gol ao Cerro Porteño na semana passada. Mas, contra o Juventude, o time novamente tomou gol em escanteio. A marcação do time é aguerrida, busca atrair o adversário para sair em velocidade. E nisso Lucas, que é um bom ladrão de bola, faz muita falta. Edmílson e Sandro são volantes de contenção na acepção gremista da palavra - mas não chegam aos pés de um Goiano ou Dinho. E Diego Souza, muito talentoso e forte com a bola nos pés, não tem a mesma capacidade de marcação. Nas laterais, Patrício é vigor, Lúcio é velocidade. O primeiro marca bem melhor que o segundo.
Análise: Empate.

Antes da saída do Schiavi, qualquer zaga do mundo era melhor que a do Grêmio, mas agora com William jogando na sua posição e Teco gastando a bola, não dá pra dizer que a dupla de zaga do Grêmio é pior que Miranda e Alex Silva. Se contarmos o meio-campo, a questão é ainda mais simples: os 4 meio-campistas do Grêmio marcam e atacam com a mesma competência. Os do São Paulo só atacam e carimbam bola. Cobrem de mim: o jogo de amanhã vai se decidir no meio-campo, a favor do Grêmio.

Sistema ofensivo

A sorte do Grêmio na Libertadores depende de um nome: Amoroso. O talento do atacante é fundamental para suprir a carência imaginativa do tricolor gaúcho, que é um time que ataca muito e com força - mas com pouco talento. Carlos Eduardo é veloz, mas não tem grande habilidade. Tuta é fundamental, pois prende zagueiros, faz o pivô e continua sendo artilheiro - apesar de continuar perdendo um caminhão de gols. O desfalque de Lucas é sentidíssimo aqui, até porque Tcheco não está em grande fase. O melhor jogador de ataque do Grêmio - ou o mais criativo - vem sendo Diego Souza com suas jogadas individuais. Os laterais Patrício e Lúcio avançam muito - o primeiro é menos talentoso que o segundo, mas ironicamente mais produtivo. Lúcio não sabe explorar muito bem sua velocidade e, não raro, cruza mal.

O São Paulo aposta suas fichas ofensivas no talentosíssimo Dagoberto, que fará sua estréia nesta quarta-feira. Por mais que Leandro seja um azougue, Dagol talvez seja o melhor remédio para o ataque são-paulino. Ele se movimenta tanto quando Leandro, tem mais habilidade e finaliza melhor (tudo bem, finalizar melhor que o Leandro não é grande virtude). Aloísio é importante porque prende a bola e incomoda a zaga adversária durante 90 minutos. Hugo é bom jogador, mas não encontrou ainda o espaço ideal para jogar no São Paulo - tem feito menos gols e sido menos decisivo do que no Grêmio. Não tem, sobretudo, a consciência tática de Danilo. O entrosamento de Hugo e Jadílson não se aproxima, nem de longe, daquele entre Júnior e Danilon. Ainda assim, Jadílson é veloz e deve incomodar Patrício. Na direita, Ilsinho tem bola para ser o melhor lateral do país. E os volantes do time - Josué e Souza (ou Richarlysson) são extremamente perigosos com a bola - sabem se projetar e, no caso do segundo, bater de fora da área.
Análise: Vantagem do São Paulo.

O Dagoberto não joga há quantos anos? Dois, três? Quanto ao Aloísio, o Amoroso já deu a dica: é só não encostar nele que ele se perde, deixa ele vir de frente. Com toda aquela "habilidade", não dá nem pra saída. O meio-campo do São Paulo é plenamente marcável já que se sujeita a marcação do time adversário (vide semifinal paulista contra o São Caetano). O problema aqui é que o ataque do Grêmio também não tem rendido muito, apesar dos últimos resultados. Mas se o Tuta começar a acertar os 3 gols feitos que ele perde por partida amanhã, tem goleada à vista...

Jogo aéreo

As duas defesas são muito altas - mas o Grêmio estranhamente vem sofrendo mais com a bola aérea do que o São Paulo. O tricolor paulista tem Aloísio, que é bom cabeceador - e Alex Silva e Miranda, que são ótimos no ataque e na defesa pelo alto. O Grêmio tem o melhor cabeceador do confronto: Tuta - mas ele é apenas um. A diferença a favor do São Paulo dentro da área é anulada pelo talento na cobrança da falta. Souza bate bem na bola, mas não tem a precisão de Tcheco.
Análise: Empate.

Nesse caso, o Grêmio perde. A bola parada de escanteio tem sido um pesadelo. A esperança é que o Mano tenha resolvido isso depois do jogo de Caxias do Sul.

Faltas para o gol

A precisão de Tcheco, aqui, é superada pela inegável eficiência de Rogério Ceni - provavelmente o melhor cobrador de faltas do futebol brasileiro.
Análise:Vantagem do São Paulo.

Também concordo com o colunista nessa aí. O Grêmio não tem cobrador de faltas. E o Rogèrio, como eu disse antes, é um ótimo cobrador.

Técnicos
Os ex-vizinhos Mano Menezes e Muricy Ramalho têm feitos trabalhos excepcionais. Ambos, agora, tem a cruel missão de lidar com o sucesso. Ninguém esperava que o Grêmio chegasse à Libertadores como chegou. O São Paulo foi vice da competição do ano passado e ganhou o título brasileiro. As expectativas estratosféricas produzem cobrança. Depois da derrota para o Caxias por 3 a 0, Mano se transformou no mais burro dos treinadores. A virada espetacular na partida seguinte removeu suas orelhas e trouxe de volta o chapéu de gênio.

Muricy, consagrado e incensado no ano passado, recebe agora as vaias e ouve novamente os gritos de Burricy. A impaciência do torcedor é injusta, claro. O São Paulo perdeu mais talento do que o Grêmio (embora tenha roubado Hugo dos gaúchos) e não conseguiu encaixar tão bem sua equipe. Mas o Campeonato Paulista é certamente mais difícil - o que pesa na balança. O momento de Mano é melhor, até porque está na final do Gaúchão e tem a vantagem de jogar a segunda partida em casa. Mas seria uma ingenuidade atroz subestimar o São Paulo de Muricy.
Análise: Empate.

HAHAHAHAHAHA! Peraí, deixa eu respirar... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH!!!! Mano e Muricy, iguais? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Banco

O Grêmio redescobriu Éverton e Bruno Telles. E ainda poderá ter Carlos Eduardo no banco, se Amoroso tomar sua vaga. Não é nada espetacular, mas já é mais do que parecia haver antes. O São Paulo tem mais opções. Leandro, Jorge Wagner, Marcel e Richarlysson poderiam ser titulares no time de Mano Menezes.
Análise: Vantagem do São Paulo.

E a coisa vai piorando... Quer dizer que o Grêmio é pior que meio time reserva do São Paulo? Que absurdo! Esses paulistas realmente não acompanham o futebol gaúcho. Tirando o J. Wagner, que pegaria apenas a lateral-esquerda no Grêmio, o resto seria banco também aqui. Ou que técnico trocaria Richarlysson por Tcheco e Leandro por Amoroso? Esse Marcel eu nem sei quem é. Só falta ser aquela naba que nós tivemos que aguentar aqui por dois anos. Aí é muita sacanagem...


Preparo físico

Por mais que o São Paulo tenha descansado durante uma semana... e o Grêmio venha jogando toda quarta e domingo... a diferença não é muito grande. Nem na questão do cansaço... nem na do ritmo de jogo.
Análise: Empate.

O dia que um time paulista tiver mais preparo que um time gaúcho eu mudo de nome pra Severina...

Clima

A pressão sobre o São Paulo é pesada. A eliminação no Paulista e o empate dramático contra o Audax Italiano deixaram o time com nervos à flor da pele. Por mais experiente e vencedor que seja a equipe, a partida no Morumbi é uma decisão com várias repercussões. O time não está acosumado a perder. O Grêmio, por sua vez, está no embalo. E tem o conforto de saber que, mesmo que sofra uma retumbante derrota no Morumbi, terá o Olímpico cheio no jogo da volta. A torcida acredita nas mais impossíveis missões - e não deixa de apoiar o time um instante. A virada contra o Caxias alimentou a fé do tricolor gaúcho.
Vantagem: Grêmio.

Outro tópico onde eu concordo com o colunista. O Grêmio vem mais que embalado pelos últimos jogos. E semana que vem, o Olímpico vai tremer, independente do resultado de amanhã.

Resumo da Ópera

O São Paulo tem mais talento. O Grêmio vem mostrando mais vontade e organização. Por mais que a análise acima pareça favorecer o tricolor paulista em quase todos os quesitos - ela é meramente técnica. Por isso o fator "clima" é tão importante. O combustível do Grêmio, de todo e qualquer Grêmio, é a empolgação. É um time capaz de vencer na raça, com menos talento do que o adversário. E terá a vantagem de fazer a segunda partida num Olímpico abarrotado. O São Paulo terá que empatar em vontade - e jogar bem, o que não vem fazendo. Por isso, sem bola de cristal disponível, a única opção possível é o ele - o sempre seguro, tucaníssimo e confortável muro.

Quer dizer que depois de dizer que o São Paulo é melhor que o Grêmio em quase todos os tópicos, o colunista fica em cima do muro? Ou ele tem que ter umas aulas de lógica argumentativa ou tem que ser MACHO pra assumir suas opiniões. Como esse não é nenhum dos meus casos, eu digo de cara que o Grêmio volta de São Paulo com um bom resultado e passa para a próxima fase. Isso porque é o São Paulo, nosso freguês de caderno cheio. Se fosse o Santos, meu otimismo não seria tão grande....

Escrito em 01/05/2007

:: post by FABIAN [+] ::

:: Sexta-feira, Abril 20 ::
NUNES

Ele não joga nada, é verdade. Mal consegue passar uma bola para um companheiro a dois metros de distância. Mas ninguém pode dizer que ele não é pé quente. Ele estava na célebre Batalha dos Aflitos e agora na Batalha do Olímpico. De vez em quando existem pessoas que servem somente pra dar sorte para os outros. Nunes é uma dessas pessoas que...

(...)

Ah, que grande bobagem! Eu aqui, bêbado na frente do computador, cantando todos os hinos da geral, apavorando a minha mulher que sabia que eu era gremista, mas não tão fanático, querendo dar uma de David Coimbra, descrevendo a emoção de um jeito bacaninha... Grande merda!

O que eu quero dizer é, dois pontos:

1. O GRÊMIO É IMORTAL! Ano que vem, alguém vai fazer 10x0 na gente e a gente vai devolver 11x0. Alguém duvida?
2. Se o Grêmio jogar metade do que jogou contra o Caxias, ganha a Libertadores com um pé nas costas. Quiçá o Mundial!
3. Tcheco é uma mentira! Não tem raça e não sabe chutar uma bola que seja, nem parada, nem andando...
4. Como é que o Mano vai tirar o Diego Souza e o Sandro Goiano do time depois de hoje?
5. Carlos Eduardo é o novo Ronaldinho!
6. DURANTE UM MÊS NÃO VOU VER AQUELAS CAMISETAS VERMELHAS NOJENTAS NA RUA! Sem contar que vou abrir a Zero Hora e não ver uma página sobre os vermelhos... É ou não é o paraíso?
7. Aprendam com os mestres, macacada! A gente deu um ano entre 20 pra vocês. Agora é a vez de retomar o topo da gangorra!!!
8. Depois de hoje, quem segura o Tricolor?
9. Rubi, Marquinhos, Sandro, Joãozinho... espero suas considerações.

P.S.: O post está em azul por um motivo muito óbvio...

:: post by FABIAN [+] ::

:: Quarta-feira, Abril 4 ::
VISUAL DNA



Dica da patroa.

:: post by FABIAN [+] ::

ELES ESTÃO FORA!

Como é bom secar! Ainda mais quando eles são eliminados aos 48 do segundo tempo. Melhor ainda é ouvir a reportagem de depois do jogo, com o Píffero e o Abel dizendo que "o trabalho que está sendo feito está correto, só faltou um pouco de sorte". O que o Inter queria? Toda a cota de sorte da sua história foi gasta ano passado, naquela barbadinha de Libertadores, com direito a frango do Rogério Ceni na final, e naquele aborto da natureza do final do ano - se houvessem 10 partidas entre Inter e Barcelona, os catalães ganhariam 9, umas 5 de goleada.

E terça que vem tem mais choradeira! Ou vocês acham que o colorado vai conseguir parar a "máquina" do Emelec em plena Guayaquil? Se não ganhou nem do VEC!!!!

Amanhã tem aviãozinho de novo nos céus de Porto Alegre! Ah, que saudades...

Pra terminar, um exercício de futurologia: GRÊMIO BI-CAMPEÃO GAÚCHO! Não precisa nem ser Mãe Dinah pra prever isso...

(post dedicado aos colorados que, volta e meia, aparecem por aqui...)

UPDATE: Eu já estava ficando triste com essa notícia, mas o último parágrafo reacendeu minhas esperanças. Adílson Batista? Hueueuaushuheuheuheuhuehueueuhe...


:: post by FABIAN [+] ::

:: Terça-feira, Abril 3 ::
ULTRA X-TUDÃO

Os porto-alegrenses têm o X do Gélson, da Zona Sul, os ijuienses têm o Kachuka, Tramandaí tem o Entreverado do Raubust, os canoenses têm um X a cada esquina, mas os paulistas raparam as fichas com o Ultra X-Tudão. O "lanchinho" tem 7500 calorias, pesa em média 3,5Kg, tem, entre outras coisas, pure de batata, cheddar, catupiry, batata frita e polenta, e o pessoal do Santa Coxinha faz um desafio aos que não se mixam por pouca coisa: quem comer DOIS desses, ganha o terceiro de graça.

Agora imaginem eu, depois de encher o pandulhinho de sushi, ver essa matéria antes de dormir. Haja chá de boldo!



Que animalice! (fotos by Camila, direto da TV)

:: post by FABIAN [+] ::

:: Sexta-feira, Março 30 ::
RAPIDINHAS

- O rabino Henty Sobel foi preso dia 23 por ter roubado quatro gravatas de uma loja de Palm Beach. O rabino era a maior autoridade religiosa judaica do Brasil, e tentou dar um godô dizendo que não tinha culpa no cartório. Estamos bem de líderes religiosos: os padres que comem criancinhas (not in a comunist way), os evangélicos que lavam dinheiro adoidado, os muçulmanos homem-bomba e agora os rabinos cleptomaníacos. Chega até a dar medo de dizer "bota na mão de Deus"...

- Agora virou gandaia. Qualquer um que já ganhou um jogo no exterior vira campeão do mundo. E a FIFA, mostrando que está longe de ser uma entidade séria, ainda referenda essas barbaridades. Que graça tem ainda ficar brigando pela validade dos títulos? Isso tudo é uma grande palhaçada! A não ser que o Grêmio ganhe o Mundial desse ano. Vai "unificar os títulos", hehehe...

- "Eu tenho um amigo que não lava o pau, dali sai polenguinho roquefor e emental, queijo minas na safada e ricota nas cachorra, ensebando a mulherada e enxaguando com a porra". Realmente, o Bonde do Rolê merece todo o hype. É genial! E ainda ficam babando nas letras do Chico Buarque (brincadeira, Rochane :))

- E a Daniela Cicarelli quer virar jurisconsulta. Justo ela, que é citada como exemplo de invasão de privacidade EM TODAS AS FACULDADES DE DIREITO DO BRASIL

- Guilherme Zaiden. Anotem esse nome.

:: post by FABIAN [+] ::

:: Segunda-feira, Março 26 ::
BOBBY

Já faz tempo que concordo com tudo o que dizem sobre os irmãos John e Robert Kennedy. Cada um ao seu tempo simbolizou a esperança de um mundo melhor. Cada um deles, se não fossem violentamente assassinados, poderiam ter transformado o mundo que conhecemos hoje. Talvez a insana Guerra do Vietnã tivesse acabado mais cedo, antes de causar tantas mortes; talvez não vivessemos durante décadas uma aterrorizante guerra fria, mãe da corrida nuclear e do terrorismo atual; talvez, inclusive, não estaríamos sofrendo com o prejuízo ambiental do aquecimento global. Pela importância histórica desses dois políticos, o cinema não pôde se abster de mostrar suas histórias. O assassinato de JFK já foi tema de vários filmes e de, no mínimo, uma obra-prima: JFK, de Oliver Stone. Porém, até Bobby (Emilio Estevez, EUA, 2006), o irmão de John não tinha tido a homenagem que merecia.

E que homenagem! Emilio Estevez, pra quem não lembra, fazia parte da turma de atores revelados no início da década de 80 que tinha, entre outros, Tom Cruise, Patrick Swayze e seu irmão, Charlie Sheen. Filho do ator Martin Sheen - conhecido pelo seu papel em Apocalypse Now e pelo intenso engajamento político - Emilio estava sumido das telas nos últimos 10 anos. Seu retorno foi em grande estilo. Emilio entra para o time de atores/diretores que revisitam o passado para explicar o presente, tal como George Clooney em Boa Noite e Boa Sorte e Clint Eastwood em A Conquista da Honra. Bobby conta os últimos minutos de vida do senador americano asssassinado pouco antes de ser eleito presidente dos EUA sem se fixar na sua pessoa, mas sim, nos efeitos que a sua provável eleição causaria no cenário social conturbado dos EUA de 1968. Com um estilo narrativo inspirado em Nashville e Magnolia, já célebre no cinema atual (e que, por isso, já não serve mais como argumento para denegrir um filme), várias histórias mostram personagens enfrentando conflitos internos e problemas sociais, todos eles interligados pela esperança de mudança representada pela eleição de Bobby Kennedy. Deixando de lado alguns clichês, Estevez consegue criar uma atmosfera de otimismo em meio a conturbada situação social da época, mostrando todos os aspectos que caracterizavam aquele tempo: a luta pelos direitos civis dos negros, a oposição à Guerra do Vietnã, a situação de "novos negros" dos latinos, a alienação junkie dos hippies, a revolução comportamental que trouxe a tona a hipocrisia das relações conjugais. Robert Kennedy representava esse otimismo, e essa esperança acabou na bala do revólver do palestino Sirhan Bishara Sirhan.

Com um elenco mais do que estelar, que conta com Anthony Hopkins, Demi Moore, Sharon Stone, Lindsay Lohan, Elijah Wood, William H. Macy, Helen Hunt, Christian Slater, Heather Graham, Laurence Fishburne, Freddy Rodriguez, Nick Cannon, Emilio Estevez, Martin Sheen, Shia LaBeouf, Joshua Jackson, Joy Bryant, Svetlana Metkina, David Krumholtz, Harry Belafonte e Mary Elizabeth Winstead, entre outros, Bobby passou despercebido pelos festivais, ganhando algumas indicações para o Globo de Ouro mas totalmente ignorado pela Academia. O que não deixa de ser uma injustiça, por se tratar de um belo filme que merece ser visto pelo ótimo trabalho realizado pelo diretor, pela reunião inédita de tantos astros do cinema e, principalmente, pela importância histórica do fato que retrata.


Emilio Estevez dirigindo Sir Hopkins em "Bobby".

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:: Domingo, Março 25 ::
CADERNINHO DE RESPOSTAS

Putz, eu tenho 10 anos. O que a gente não faz pela patroa...

5 coisas que eu quero fazer antes de morrer
- Filhos
- Me formar
- Ficar rico
- Conhecer Londres
- Ver um show do Pink Floyd

5 coisas que eu faço bem
- Macarrão a bolonhesa
- VT de varejo
- Gastar dinheiro com bobagens
- Comer
- (não posso falar nesse blog)

5 coisas que eu mais digo
- "Bah"
- "Obrigado"
- "Te amo"
- "Não tô com sono"
- "Tô indo"

5 coisas que eu não faço (ou não gosto de fazer)
- Musculação
- Lavar banheiro
- Tirar o lixo
- Dormir cedo
- Video institucional

5 coisas que me encantam
- Cheiro de grama molhada
- A determinação, a beleza e o bom humor da minha esposa
- Chocolate e/ou sorvete
- Filmes realmente bons
- Sentar num buteco, tomar uma cerveja bem gelada e bater um papo com conteúdo

5 coisas que eu odeio
- Ex-fumante chato
- Gente metida a grande coisa
- Ser mal atendido quando estou pagando
- Ficar sem dinheiro
- Colorados quando ganham alguma coisa

Claro que nenhuma resposta dessas é definitiva. As respostas podem ser outras amanhã. Ou até mesmo hoje...

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300



Há uns 3 anos atrás, quando um amigo me emprestou a graphic novel Os 300 de Esparta, de Frank Miller, confesso que não fiquei tão entusiasmado quanto ele ao falar do gibi. Lembro que achei os desenhos excelentes, mas a história fraquinha. Tá certo que tinha uma mensagem de honra e coragem intrínseca, mas a mesma era completamente clichê e previsível. Ao ver a adaptação dos quadrinhos para o cinema, a impressão continua a mesma. Porém, como na relação entre um storyboard e a cena filmada, 300 (Zack Snyder, EUA, 2006) dá vida à idéia original de Miller. O estilo do autor foi transposto fielmente para a tela, enriquecido com movimentos muito bem coreografados e fotografados. Estilísticamente, não dá pra se dizer que 300 não é menos que perfeito em todos os sentidos. O diretor Zack Snyder já tinha provado em Madrugada dos Mortos que é um exímio maestro das imagens, mas em 300 ele extrapola seus próprios limites, transformando cada fotograma em uma tela digna dos melhores pintores, adicionando nessa tela um balé de movimentos de tirar o chapéu. Claro que Frank Miller já tinha feito o trabalho original ao definir o estilo visual da história. Mas Snyder colocou um tempero que transformou esse filme numa iguaria inesquescível. Certamente, 300 virou desde já um paradigma visual do tamanho de Matrix, Gladiador e Senhor dos Anéis.

Mas meu entusiasmo para por aí. Um filme não merece entrar para a história do cinema - como muitos críticos entusiasmados estão dizendo - se não tiver um enredo que valha a pena. Como disse antes, 300 traz uma mensagem pífia de honra e coragem. Mas o que se vê além disso é apenas pau, sangue e gritaria. A lenda da batalha das Termópilas até hoje é lembrada como uma das melhores táticas de guerra já executadas na história dos combates. Só que essa batalha foi protagonizada pelos soldados espartanos, guerreiros treinados para não sentir dó do inimigo e cuja maior glória era morrer na ponta de uma lança. Emoções, portanto, estavam excluídas da equação. É aí que mora o pecado de 300. O símbolo da filosofia espartana, o Rei Leônidas (numa marcante interpretação de Gerard Butler, justiça seja feita), não é nada mais que um caudilho que não pensa nas conseqüências de seus atos. Leônidas, criado desde criança pelo código espartano "não se render, não recuar", perde a noção do perigo e o timing da batalha, deixando de lado a possibilidade de conquistar um objetivo maior. Em resumo, se Leônidas fosse um técnico de futebol, seu time sempre perderia de 11 a 6. Tamanha insensatez impede que o espectador sinta a empatia necessária pelo protagonista.



Por isso, 300 deixa de ser um filme nota 10. Muito provavelmente vai ganhar todos os prêmios do MTV Movie Awards desse ano devido ao seu visual estonteante (dependendo, é claro, de como for Spiderman 3, que estréia em maio). Mas as vezes a imagem não é tudo. Em Madrugada dos Mortos, Zack Snyder tinha modernizado o clássico de 1979 de George Romero, tanto no visual, quanto no roteiro. No entanto, em 300 o diretor deixou de lado seu lado autoral para se dedicar exclusivamente ao de esteta. Tomara que em seu próximo projeto - mais uma adaptação de quadrinhos: Watchmen, de Alan Moore - Snyder volte a dar pitaco na história original. Talento ele tem de sobra.

Ah, sim: o Rodrigo Santoro está no filme. E ele fala, dessa vez. Apesar de não ser a sua voz...


"Ah, que saudades do Brasil. Ao menos lá eu pego a Ellen Jabour. Aqui, tenho que encarar o Osama Bin Laden."

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